09 novembro 2009

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Franciscanismo no III milénio


Futuro? É o tal sentido orientativo e de projeção indispensável em todo o ser humano,
marcado pela peregrinação:
donde venho, onde estou e para onde vou.

No Franciscanismo isso é ainda mais assim tendo em conta a dinâmica que lhe deu origem, o projeto do seu Fundador.




E) Respeito pela criação

O respeito pela criação faz parte essencial do ideário franciscano. As coisas criadas revelam a glória de Deus(43). São reflexo do Senhor(44), a imagem do seu Filho(45). São nossas irmãs(46). Reflectem o amor de Deus para connosco(47). Merecem respeito e sujeição(48). Servem para com elas louvarmos o Senhor(49). A pobreza franciscana é também e sempre respeito pelas criaturas.

Num mundo ameaçado pelo desequilíbrio cósmico, pela exploração irresponsável da criação, pelo uso e abuso de tudo, pela invasão do lixo que nos ameaça, pela poluição de rios e das fontes, dos ares e dos mares, pela praga dos fogos nas florestas, pela agressão sonora, com a invasão desordenada do cimento armado a ameaçar sempre mais as zonas verdes das nossas cidades, o exemplo e a voz franciscana, a partir da fé, poderiam ser uma lufada de ar fresco e de esperança na cidade dos homens que corre risco de dar cabo da sua casa comum, o cosmos em que habitamos. O hino oficial poderia ser o Cântico das Criaturas. Sem uma voz assim, podemos acabar por silenciar a Deus e provocar uma derrocada da casa de todos nós que viria a cair sobre as nossas cabeças como consequência do sacrilégio que é a nossa anti-criação.

08 novembro 2009

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Franciscanismo no III milénio


Futuro? É o tal sentido orientativo e de projeção indispensável em todo o ser humano,
marcado pela peregrinação:
donde venho, onde estou e para onde vou.

No Franciscanismo isso é ainda mais assim tendo em conta a dinâmica que lhe deu origem, o projeto do seu Fundador.




D) Da pobreza como libertação

A pobreza é uma linha de base no franciscanismo. A pobreza é norma de vida(26), fundamento da Ordem, novidade da Ordem(27). Pobreza que é de Nosso Senhor Jesus Cristo(28). Pobreza que é altíssima(29), uma senhora(30), uma esposa(31), uma graça do Senhor(32). Pobreza que tem de ser voluntária(33) e consiste em não ter nada próprio(34), não se apropriar de nada. É libertar tudo em favor dos pobres(35), como Francisco o quis demonstrar na cena das rolas que comprou e soltou para as pôr a cantar para toda a gente(36). Pobreza que é humildade(37), uma virtude real, por ser pobreza de um grande Rei que é Jesus e a todos nos garante o reino dos céus(38). Pobreza que faz ver tudo como dom(39), evita o supérfluo(40), converte os pobres em imagens de Cristo(41), que fez de Maria a Senhora pobre(42).

Num mundo de ganância, de ambições desmedidas, de avareza, onde o que se ganha e se tem nunca chega, onde os bancos vão escondendo o pão que nos sobra e falta aos pobres, onde os ricos são cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais numerosos e mais pobres, num mundo que é ao mesmo tempo de opulência, de ostentação e de miséria e fome, um mundo cada vez mais igual ao do rico avarento e do pobre Lázaro, um tal testemunho autêntico e "escandaloso" de pobreza francis­cana, seria decisivo. Seria uma contestação, talvez silenciosa, mas mais eficaz e necessária. Seria uma revolução cada vez mais urgente.

Notinhas da Igreja




Domingo 08/11/2009
Missas noturnas

Igreja Matriz São João Batista 19h
Igreja Matriz Nossa Senhora Aparecida 18h
Igreja Matriz Nossa Senhora Mãe dos Homens 19h
Celebração
Igreja São José e São Bento 19h30
Igreja Santa Rita de Cássia 19h30m



Segunda-feira
7h15 Missa na Capela do Calvário no Cemitério Velho
14 Grupo de Oração Igreja Mãe dos Homens
15 Missa Igreja Mãe dos Homens

19h Missa Basílica de Latrão Igreja Nossa Senhora Aparecida



Terça-feira
9h Igreja N S Aparecida - atendimento aos leigos e confissões às 9h as 11h
e tarde a partir das 14h

15h Missa na Igreja de São Benedito

19h30m Grupos de Oração:
Ig N S Aparecida
Ig S Francisco de Assis
Ig Mãe dos Homens




Aconteceu
Neste sábado aconteceu na Igreja de Nossa Senhora Aparecida, a formação
do Apostolado da Oração, e para este encontro veio a equipe Arquidiocesana do
Movimento do Apostolado da Oração. Ao final, foi montado a equipe de trabalho
que assumiram a Presidência, Vice, primeira e segunda secretária e tesouraria.
Parabenizamos a todas que aceitaram. Foi elogiado a presença de Homens.



Junfec
Pastoral Jovem que se reúne todos os sábado as 17h na Igreja de Nossa Senhora Aparecida, que conta com apoio de missionário de Sorocaba do Movimento de Emaús. A garotada está correpondendo e participando fielmente. Eles estão se organizando para sua confraternização. Neste sábado ele foram e visitaram um jovem que não está podendo frequentar os encontros por motivos de saúde, foi uma linda serenata. Deus abençoe.



http://govidanova.files.wordpress.com/2009/08/mat_1042.jpg
Experiência de Oração
A RCC Jovem de Porto Feliz, via promover nos dias 21 e 22 deste mês, uma Experiência de Oração Jovem na escola do Coronel Esmédio. Será um retiro com hospedagem no local. Os jovem do grupo de oração Jovem Mensageiros da Paz, já estão em missão convidando todos os interessados. Fichas podem ser encontradas em todos os grupos de oração da cidade.



http://www.meionorte.com/imagens/COL122-20080301150507.jpg
Feira da Bondade
A Conferência dos Vicentinos da Paróquia de Nossa Senhora Aparecida, promove nos dias 9 e 10, ou seja segunda e terça-feira agora, a feira da Bondade, com preço acessíveis, o dinheiro arrecadado com as vendas será revertido em Prol dos trabalhos com os pobres. A Feira vai ser realizada aonde era a Lojas Pernambucanas no centro da Cidade.


Blog Católico
Nada acontece sem a permissão de Deus, e assim tem acontecido com esta página eletrônica, estamos crescendo, ganhando vida, e tendo espaço reconhecido. Se você, participa de algum movimentou ou pastoral e quer divulgar suas atividades e eventos, basta entrar em contato conosco que retornaremos: serjovem7@hotmail.com. Estamos a serviço da Igreja!



Fraternidade São Maximiliano Kolbe
Fraternidade Franciscana (Movimento de Assis) se reúne semanalmente às segundas-feiras 19h30m no Centro Catequético ao lado da igreja Matriz Mãe dos Homens. Se você se identifica com a Espiritualidade Franciscana e quer conhecer mais, vá fazer uma visita.


Paz e Bem

07 novembro 2009

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Franciscanismo no III milénio


Futuro? É o tal sentido orientativo e de projeção indispensável em todo o ser humano,
marcado pela peregrinação:
donde venho, onde estou e para onde vou.

No Franciscanismo isso é ainda mais assim tendo em conta a dinâmica que lhe deu origem, o projeto do seu Fundador.




C) Promoção da Paz

Faz parte do franciscanismo a promoção da paz. Promoção da paz, com o exemplo. Era a regra fundamental e Francisco na evangelização e missionação a pratica entre os sarracenos e outros infiéis. Deviam ir para o meio deles e viverem ali em paz entre si e sujeitos a toda humana criatura segundo mandava a Primeira Regra(17). A saudação dos irmãos devia ser, cada dia, um desejo de paz, como impõe a Segunda Regra(18). A norma de base era o perdão, perdão sem medida, como se manda na carta de Francisco a um Ministro(19). Ser franciscano era promover a paz com palavras(20) e obras(21). É esta a missão da Ordem(22). Promover a paz até entre os homens e os animais, como Francisco o fez com o lobo de Gúbio(23). Paz sempre e só a partir da justiça, como bem o acentua na pacificação do lobo de Gúbio(24). Paz desarmada, como a de Francisco com o Sultão num tempo de cruzadas. Paz que canta os que promovem a paz(25) e inspira orações para suscitar promotores de paz: Senhor, fazei de mim instrumento da vossa paz!

Um corpo de paz assim, no mundo e na igreja, afastaria certamente neste terceiro milénio um dos maiores perigos e riscos da Humanidade e que vai fazendo gastar em armas o que se devia gastar em pão e na promoção dos homens e das nações e, na posse de armas nucleares, pode até pôr em risco a própria subsistência da humanidade.
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Franciscanismo no III milénio


Futuro? É o tal sentido orientativo e de projeção indispensável em todo o ser humano,
marcado pela peregrinação:
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B) A fraternidade

A fraternidade entre todos é outra das notas fundamentais do franciscanismo. S. Francisco fundou uma Ordem de irmãos(8) onde todos são mesmo irmãos (fratres-frades)(9) uma família(10), com irmãos a partilharem tudo o que recebem(11), até com obediência uns aos outros(12), com amor materno de uns pelos outros(13). Todos a verem como irmãos todos os homens(14), sem discussões, sempre na alegria e na simplicidade(15). Sábios e simples(16). Todos assim.

Um mundo de gente assim seria o fim do egoísmo. Poria fim à solidão de tanta gente. Evitaria o stress. Aproximaria as pessoas. As guerras e os crimes iriam desaparecer.

São Francisco de Assis

http://www.santacecilia.com.br/scnovo/imgs/fotos/2-08_PrimeiraEucaristia.jpg

Dia 8 de novembro
Primeira Eucaristia
na Comunidade de são Francisco de Assis
Paróquia São João Batista
as 9h30m
Jamais desesperes, mesmo perante as mais sombrias aflições de sua vida, pois das nuvens mais negras cai água límpida e fecunda.
Provérbio Chinês

Você não tem chance se não tentar !!


Oração



"AO DEUS ONIPOTENTE"

Onipotente, eterno, justo e misericordioso Deus,
dai a nós, miseráveis,
fazer, por vós mesmo,
o que sabemos que vós quereis,
e sempre querer o que vos apraz,
para que,
interiormente purificados,
interiormente iluminados
e acesos no fogo do santo espírito
possamos seguir os vestígios
do vosso dileto Filho,
nosso Senhor Jesus Cristo,
e chegar só por vossa graça a vós,Altíssimo,
que na Trindade perfeita
e na Unidade simples
viveis e reinais e sois glorificado
Deus onipotente
por todos os séculos dos séculos. Amém.


(S. Francisco de Assis,

"Oração na Carta a toda a Ordem")


06 novembro 2009

"ORAÇÃO DE JOÃO PAULO II A SÃO FRANCISCO DE ASSIS"

Ó São Francisco, estigmatizado do Monte Alverne, o mundo tem saudades de ti qual imagem de Jesus crucificado. Tem necessidade do teu coração aberto para Deus e para o homem, dos teus pés descalços e feridos, das tuas mãos transpassadas e implorantes. Tem saudades da tua voz fraca, mas forte pelo poder do Evangelho.

Ajuda, Francisco, os homens de hoje a reconhecerem o mal do pecado e a procurarem a sua purificação na penitência. Ajuda-os a libertarem-se das próprias estruturas de pecado, que oprimem a sociedade de hoje. Reaviva na consciência dos governantes a urgência da Paz nas Nações e entre os Povos. Infunde nos jovens o teu vigor de vida, capaz de cotrastar as insídias das múltiplas culturas da morte.

Aos ofendidos por toda espécie de maldade, comunica, Francisco, a tua alegria de saber perdoar. A todos os crucificados pelo sofrimento, pela fome e pela guerra, reabre as portas da esperança. Amém.

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Franciscanismo no III milénio


Futuro? É o tal sentido orientativo e de projeção indispensável em todo o ser humano,
marcado pela peregrinação:
donde venho, onde estou e para onde vou.

No Franciscanismo isso é ainda mais assim tendo em conta a dinâmica que lhe deu origem, o projeto do seu Fundador.




A) A menoridade

A menoridade faz parte da identidade de Francisco e também da sua Família. Foi o próprio São Francisco que escolheu para si e para os seus este nome(1) Queria que os seus se chamassem assim: Irmãos Menores(2) Eram de facto assim(3). Propôs mesmo o que seria o retrato de um irmão menor(4). Assim se designava a ele próprio(5). Assim designava ele os seus filhos, a sua Ordem(6). Numa sociedade, com "maiores e minores" Francisco quis que os seus fossem fazer parte dos "minores".

Não foi questão de táctica. Aprendeu-o no evangelho(7).

Não os chamou mínimos. Usou o comparativo. Supõe que qualquer franciscano vê e considera sempre todo o outro acima de si próprio. Nunca se poderá ver acima de ninguém. Vê todos os outros acima de si. Como tais, dá-lhes sempre o primeiro lugar. Escolhe, como seu lugar próprio, estar sempre entre e com os menores.

Uma gente assim mataria toda a inveja imperante. Acabaria com a concorrência e competitividade que esmaga pessoas, espalha conflitos, é fonte de ameaças, semeia injustiças. Dispensa armas e exércitos. Tem por amigos os mais pequenos, os mais frágeis, os mais fracos. Toma sempre como suas as causas deles. Não tem medo de ninguém, mesma num mundo cheio de medos, como é o nosso.
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Franciscanismo no III milénio


Futuro? É o tal sentido orientativo e de projeção indispensável em todo o ser humano,
marcado pela peregrinação:
donde venho, onde estou e para onde vou.

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3. ÁREAS A PRIVILEGIAR PELO FRANCISCANISMO NO TERCEIRO MILÉNIO

À luz do que acabamos de dizer, parece-me serem áreas abertas a uma intervenção franciscana no mundo do terceiro milénio, entre outras, a menoridade, a fraternidade, a promoção da paz, a pobreza como libertação e opção pelos pobres, o respeito pela criação, o clima de transcendência, centrado num Deus que é amor.

Cada uma delas daria um tema a tratar e aprofundar numa semana como esta.

Vou dizer apenas e sem grandes pretensões uma palavra muito breve a sublinhar o significado e conteúdo de cada uma destas áreas no pensamento franciscano das origens e a alternativa flagrante que elas representariam em ordem a um mundo novo em que todos mais ou menos conscientemente andam a sonhar.

Gritar com os filhos pode ser prejudicial


Pesquisas mostram que pais irritados recorrem demais à pedagogia do grito. Ela é um avanço em relação às palmadas, mas também deixa marcas.


Martha Mendonça,
com reportagem de Fernanda Colavitti
e Ivan Martins

 Daryan Dornelles
EFEITO MORAL
André (à esq.), Pedro e Glória, com a mãe, Tatiana, no Rio. O grito acorda.A educação vem depois


"Cauê, vai tomar banho.” A primeira ordem da enfermeira Camila Segala, de 31 anos, ao filho, de 7, é feita em tom normal. Mas Cauê não vai. Ela repete a frase duas vezes. O menino não tira os olhos da televisão. Então o pedido se transforma em grito: “Vai tomar banho logo!!! Todo dia é isso!!! Você ainda tem de fazer a lição de casa!!!”. Tem sido assim a rotina de Camila e do marido, o empresário Wellington Segala, de 33 anos, que moram em Santo André, São Paulo. Além de Cauê, eles têm a pequena Giovana, de 4. Nunca deram uma palmada nas crianças. Mas, diante da desobediência ou da bagunça, resolvem no grito. Às vezes, Giovana tampa os ouvidos e chora: “Mamãe, não precisa gritar”. Mas o grito, confessa Camila, é um hábito difícil de largar. A explicação quase sempre é o cansaço: depois de um dia inteiro de trabalho, que pai ou mãe não explodem com o filho desobediente?

Na atual geração de pais, em que as palmadas foram banidas do repertório educativo, elevar a voz se transformou no recurso mais usado para impor disciplina. Em toda parte. “Trabalho com milhares de pais e posso dizer, com certeza, que o grito é a nova surra”, afirma a terapeuta de família americana Amy McCready, organizadora do Positive Parenting Solutions, que dá cursos e aconselhamento para pais. “A maioria se sente sem ferramentas para disciplinar seus filhos e acaba gritando. Depois se sente culpada e passa por um período de autocontrole, mas acaba apelando para os berros novamente, criando um padrão familiar.” Na semana passada, ela disse o mesmo em uma reportagem do jornal americano The New York Times, que mostrou vários psicólogos criticando a pedagogia dos altos decibéis. “Nós elogiamos os pequenos por aprenderem a assoar o nariz, somos amigos do adolescente e somos capazes de passar um bom tempo ajudando nosso filho a entender seus sentimentos. Mas, paradoxalmente, somos uma geração que berra”, diz o artigo.

As educadoras americanas Devra Renner e Aviva Pflock, autoras do livro Mommy guilt (Culpa de mãe), fizeram uma pesquisa com 1.300 pais sobre o que os deixava mais culpados no dia a dia doméstico. Dois terços apontaram “gritar com as crianças” – mais que faltar ao trabalho ou esquecer uma reunião escolar. “Levantar a voz é a reação mais fácil e rápida, aquela que todos os pais cometem. E eu me incluo entre eles”, diz Aviva, mãe de três filhos com idade entre 8 e 17 anos. O debate sobre a pedagogia do grito rapidamente tomou conta da internet. “Meu nome é Francesca Castagnoli, e eu berro com meus filhos”, escreveu, como quem participa de um grupo de reabilitação, a autora do blog Motherblogger, dos mais procurados pelas cibermães. “Sinto como se revelasse o lado ruim de minha família. Gritar é como deixar seu filho trancado no carro enquanto faz compras no supermercado.”

Será tão grave? Os críticos do grito paterno afirmam que ele assusta a criança sem ter efeito pedagógico. “Quando você grita com seu filho, ele não assimila suas palavras. Ouve o volume de sua voz e sente sua raiva”, diz Amy McCready. Segundo ela, a criança pode até obedecer na hora, mas não há efeitos de médio e longo prazos. “Não há aprendizado. Repare como no dia seguinte você provavelmente berrará as mesmas coisas”, diz. Logo, o grito paterno é mais um instrumento de correção ou apenas uma explosão emocional? “Nos dias de hoje, ele revela perda de controle”, diz Anne Lise Scapatticci, psicanalista infantil e doutora em saúde mental pela Escola Paulista de Medicina. Para ela, o diálogo é a melhor forma de educar, mas a criança precisa lidar com a ideia de que pais também ficam nervosos, irritados ou cansados. “Mesmo pequena, ela é capaz de entender as emoções dos outros. Especialmente quando depois do grito existe uma boa conversa ou um pedido de desculpas.”

É assim que procura agir a publicitária carioca Tatiana Saback, de 40 anos, mãe de Pedro, de 12, André, de 10, e Glória, de 9. Ela acredita que levantar a voz em determinadas situações tem “efeito moral”. E, mesmo se não tivesse, há momentos em que não dá para segurar. “Mas nunca deixo de bater um bom papo depois sobre os motivos de eu ter perdido a calma”, afirma. Brigas entre irmãos e desobediência na hora de tomar banho ou estudar são as maiores causas dos gritos – mas estes, ela enfatiza, nunca acontecem na frente de amiguinhos ou na rua. “Serve para eles tomar um susto e acordar. A educação vem depois, na conversa”, afirma Tatiana. Criança nos anos 70, ela se recorda de ter levado boas palmadas – sem traumas. “Naquela época era comum, ninguém se sentia mau pai por causa disso”, diz. “Eu não bato em meus filhos, mas grito quando preciso. Espero estar fazendo o melhor.”

Provavelmente está. O conceito de bom pai ou de boa mãe é construído pela cultura de cada lugar e cada período. E é flexível – desde que não coloque em risco a integridade física e mental das crianças. A terapeuta familiar Magdalena Ramos, mãe de duas filhas e avó de quatro netos, professora da Universidade Católica de São Paulo por 33 anos, lembra que as crianças são criaturas resistentes. Não é um par de gritos teatrais de uma mãe nervosa que vai traumatizá-las. O problema, diz a psicanalista argentina, é a repetição e a padronização do comportamento agressivo. “O grito tem de ser a exceção”, afirma. “Se ele se tornar a norma na relação entre pai e filho, se os pais estão sempre alterados, talvez seja hora de procurar ajuda profissional.” Magdalena diz que os pais modernos são estressados (porque trabalham demais, porque têm pouco tempo livre) e, consequentemente, na relação com as crianças alternam impaciência, gritos e culpa. Muita culpa. Repreensões são ditadas menos pelo comportamento da criança que pelo estado de espírito dos adultos. Se os pais estão tranquilos (ou sentindo-se culpados), pode. Se eles estão nervosos, não pode. “Isso confunde as crianças”, diz a tarapeuta. “Estimula um comportamento de barganhar. E gritar.”

"SAUDAÇÃO À MÃE DE DEUS"




Salve, ó senhora, Rainha santa,

Mãe santa de Deus, ó Maria,
que sois Virgem feita Igreja,
e escolhida pelo santíssimo Pai celestial,
que vos consagrou
com seu santíssimo
e dileto Filho
e o Espírito Santo Paráclito!


Em vós residiu e reside
toda a plenitude da graça e todo o bem!
Salve, ó palácio do Senhor!
Salve, ó tabernáculo do Senhor!
Salve, ó morada do Senhor!
Salve, ó manto do Senhor!
Salve, ó serva do Senhor!


Salve, ó Mãe do Senhor,
e salve vós todas,
ó santas virtudes derramadas,
pela graça e iluminação do Espírito Santo,
nos corações dos fiéis,
transformando-os de infiéis
em (servos) fiéis de Deus!


05 novembro 2009

oração

"ORAÇÃO PARA SÃO FRANCISCO DE ASSIS"

Ó glorioso São Francisco, nosso grande padroeiro, a vós recorremos pela doçura da vossa santidade. Protegei-nos e abençoai-nos. Vós que nos ensinastes a procurar neste mundo a perfeita alegria no amor de Deus e do próximo; vós que tanto amastes as pessoas e a natureza toda, porque proclama a glória e a sabedoria do Criador, fazei-nos servir a Deus na alegria, ajudar o próximo o melhor possível, amar até as mais fracas criaturinhas e, com os nossos bons exemplos e boas ações, espalhar em torno de nós os benefícios da fraternidade cristã. Amém.


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Franciscanismo no III milénio


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2. CAMINHOS DO TERCEIRO MILÉNIO A PEDIR UMA INTERVENÇÃO FRANCISCANA

O terceiro milénio aí está a chegar, com uma possibilidade imensa de progresso, de bem-estar, de qualidade de vida, de felicidade que mal se podem imaginar. Bastaria pensarmos só no que aconteceu nestes últimos 50 anos, a partir de novas descobertas que se vão sucedendo sempre em ritmo mais crescente e de maior envolvência. Nunca o homem pôde ser tão feliz e crescer tanto como hoje.

Entretanto, sabemos bem que, com todo esse bem-estar, não cresceu de facto ao mesmo ritmo a felicidade humana. Pode mesmo ter diminuído a muitos níveis. É que, com todo esse bem-estar, foram surgindo novos problemas. São esses problemas, os problemas de hoje que importa resolver e em cuja solução todos nos devemos empenhar. Todos e também, como é evidente, o mundo franciscano.

Não compete, entretanto, ao franciscanismo responder a todos os problemas, ânsias, inquietações e desafios que nos apresenta o terceiro milénio, que já aí está à vista.

Tais problemas e inquietações são mais que muitos. São aos montes: o economicismo, a concorrência e competitividade propostas como únicas saídas de futuro, o capitalismo a avançar sempre mais, contra tudo e contra todos, a açaimar os poderosos meios de comunicação, fazendo-os ditar moral e dizer só o que lhe convém, na pior das ditaduras de sempre, a generalização dos conflitos, a consagração da lei dos mais fortes, o fosso, a crescer sempre mais, entre ricos e pobres, a degradação da espécie humana, a secundarização do homem na sociedade, a ausência de valores e pontos de referência, a objectivação e exploração das pessoas, de umas pelas outras num salve-se quem puder, a crise de esperança, a ameaça e os atentados à criação, a orfandade do homem sem transcendência, sem razões para viver e para esperar, a mutilação da inteligência humana em favor da dimensão instintiva do ser humano etc etc.

O único critério para se encontrar e discernir, neste acervo de problemas, o campo onde se deverá fixar a intervenção franciscana tem de ser o ideal, a vida, a identidade de Francisco que aparece nomeadamente nas fontes, nas origens do franciscanismo e, como é evidente, na leitura que delas fizeram sobretudo os santos, logo de início e ao longo da história.


04 novembro 2009

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Franciscanismo no III milénio


Futuro? É o tal sentido orientativo e de projeção indispensável em todo o ser humano,
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1. A PERSPECTIVA DO FUTURO NO FRANCISCANISMO DAS ORIGENS

Francisco é o homem "alterius saeculi", do outro século, na expressão de Celano, o século que vem aí. Como tal, com o movimento a dinâmica que, talvez mesmo, sem conscientemente os programar, ele lhes imprimiu, pretendeu responder a necessidades e apelos que se faziam sentir vivamente, a partir de tempos novos que então estavam a chegar. Num mundo, mais ou menos parado e marcado pela "stabilitas loci" do monacato beneditino, mas que começava a mover-se impelido nomeadamente pela dinâmica comercial, ele lançou a mística do "peregrino e forasteiro neste mundo". Num mundo, classista, com os senhores suseranos e a plebe, como monacato de Abades e conversas a despertar para a igualdade, ele projectou o movimento da fraternidade. Num mundo a chegar, com toda a gente a respirar ânsias de dinheiro, que o comércio suscitava, ele propôs caminhos de pobreza e desprendimento. Num mundo com uma igreja, presa do fausto e da ostentação, ele falou de pobreza de simplicidade. Num mundo de guerras fratricidas de uns contra os outros, por tudo e por nada, ele apontou e mostrou caminhos de paz de reconciliação. Isto foi o franciscanismo das origens.

Lógica e consequentemente num movimento que nasceu assim, seria uma infidelidade não ouvir a sério essas vozes profundas que vêem do futuro e continuam a ressoar sempre de novo vozes do Concílio Vaticano II, liderado na sua origem pela mão de um Papa Franciscano, da Origem Terceira, que foi João XXIII. Desi­gnou ele essas vozes como sinais dos tempos. Sinais que é um dever grave ouvirmos todos, como lembrou o Concílio na "Gaudium et Spes". É nesses sinais que está Deus a conduzir a história, com a Igreja e todas as suas instituições e por isso também o Franciscanismo. Se ele não fizesse, estaria a ser infiel a S. Francisco e estaria a trair seu próprio futuro.

É a esta luz que vamos ver os caminhos que o franciscanismo terá de percorrer nos caminhos do terceiro milénio, se quiser ser fiel a Deus, à Igreja, à história e também a S. Francisco.

Onde está Deus ?




No último mês enterrei seis crianças no hospital pediátrico onde todos os sábados celebro a missa. Cinco meninos –Zhenja, Anton, Sasha, Alesha e Igor– e uma menina, Zhenja Zhmyrko, uma bela mocinha de dezessete anos. Morreu de leucemia. Teve uma agonia lenta, com dores terríveis, que nenhum remédio conseguiu aliviar.

E neste mês a mesma trágica rotina: cinco pequenos ataúdes é nossa estatística habitual. Estatística tremenda, cruel, assassina. Mas estatística. E em cada caixão há um menino que para seus seres queridos era seu pequeno, amado, adorado, predileto: Maksimka, Ksjusha, Nastja, Natasha, Serezha...

ONDE ESTÁ, DEUS?

É fácil acreditar em Deus quando caminhamos pelo campo, no verão. O sol resplandece, as flores emanam seu perfume e o ar é suave. "E nos céus vejo Deus", como escreveu o poeta russo Mihail Lermontov. Mas e aqui?

Onde está Deus? Se ele é bom, onipotente e onisciente, por que se cala? E se for verdade que castiga estes meninos por suas faltas, ou pelas culpas de seus pais, como crêem alguns, então não é um ser "cheio de paciência e rico em misericórdia", pelo contrário: é cruel.

Deus permite o mal para que tiremos algum proveito, ou porque quer nos ensinar algo, ou será para evitar que nos ocorra algo ainda pior ? Isto é o que ensinavam os teólogos em Bizâncio, na Idade Média. E nós também continuamos afirmando algo similar. Então, a morte destes meninos seria uma lição de Deus para nós? Ou um mal menor, que nos permite evitar algo pior?

Bem, se Deus planejou estas mortes,mesmo que fosse com a finalidade de fazer-nos entrar em razão, então não é Deus senão um pérfido demônio. Por que teríamos que adorá-lo? Pelo contrário, deve ser expulso de nossa vida. Se Deus, para nos ensinar algo, pôde assassinar Antosha, Sasha, Zhenja, Alesha, Katja e muitos outros meninos, então eu não quero acreditar neste Deus.

FÉ É CONFIAR

Esclareço que "ter fé", ou "crer", não significa "reconhecer sua existência", senão mais bem "confiar, entregar-se a ele". Se for assim, aqueles que no passado destruíam as igrejas e lançavam à fogueira os ícones tinham razão; ou pelo menos, os que transformavam as igrejas em casas "de cultura". Tudo isto é triste. Mais que triste, é horrível.

Ou talvez não seja necessário pensar nisto, senão simplesmente tentar consolar. Dar aos que já não podem carregar mais peso este "ópio para o povo" e, pelo menos assim, esperar que seus sofrimentos sejam aliviados. Consolar, acalmar, compartilhar. Mas o ópio não cura. Serve somente para aturdir por um momento, tira a dor durante três ou quatro horas; e depois deve-se dar mais, e mais e mais... Mas é horrível ter que mentir. E principalmenteo mentir sobre Deus. Eu não posso fazer isso; não consigo.

Senhor! Que posso fazer? Olho sua cruz, vejo como morre sofrendo horrivelmente. Olho suas chagas,morto, seu corpo nu, na espera de sepultura... Neste mundo o senhor compartilhou nossa dor. Assim como nós, também grita quando morre na cruz: "Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes?" Como um de nós, como Zhenja, como Anton, como Alesha, como cada um de nós, também gritou a Deus esta terrível pergunta e entregou seu espírito".

De quem é a culpa da dor? Não sei. Mas sei quem é o que sofre conosco: é Jesus. Mas então, como compreender o mal que é cometido diariamente no mundo? Não faz falta compreendê-lo, senão lutar contra ele. Vencer o mal com o bem, como nos propõe o apóstolo Paulo. Cuidar dos enfermos, vestir e dar de comer aos pobres, deter as guerras, e assim sucessivamente. E sem descanso. E se não pudermos, se nossas forças não forem suficientes, então devemos postrar-nos diante de sua cruz, aferrar-nos ao seu pedestal, como se fosse a única esperança.


"Ninguém jamais viu Deus". O que nos une a ele é só um único fio: o homem chamado Jesus, em cujo corpo está toda a plenitude de Deus. E um único fio nos une a Jesus: o amor.

Ele morreu na cruz como um criminoso. Com sofrimentos atrozes. O que aconteceu depois de sua morte? Nós acreditamos que ressuscitou, mas não sabemos. Não sabemos! No começo do capítulo vinte do evangelho de João, vemos Maria Madalena, depois os apóstolos Pedro e João, e sentimos essa dor penetrante que impregna tudo nessa manhã primaveril de Páscoa. Dor, tristeza, desespero, cansaço.

Mas esta mesma dor penetrante, este mesmo sentimento irremediável, que de maneira tão clara apresenta o evangelho de João, eu o sinto sempre, ao lado do caixão de uma criança ... sinto-o, e com sofrimento, entre as lágrimas e o desespero, creio: sim, vós ressuscitastes para valer, ó Senhor!

Klara morreu enquanto escrevia estas páginas, depois Valentina Ivanovna, e por último Andrjusha: são outros três caixões. Há alguns dias um menino me confidenciou que não acreditava que houvesse vida lá no "céu"e, por isto, temia ser um mau cristão. Respondi-lhe que sua dificuldade de compreender o que se refere a outra vida demonstrava justamente o contrário: é a prova da sinceridade de sua fé.

E me explico: uma vez um sacerdote –já não tão jovem– disse-me que era difícil falar da morte e ensinar a seus fiéis a não terem medo dela, porque ele não perdera ninguém que lhe fosse verdadeiramente próximo. Sincero. Muito sincero. E muito justo.

FALAR A PARTIR DA EXPERIÊNCIA

Sinto certa vergonha quando vejo algum jovem sacerdote, recém saido do seminário que, com suficiência e calma, explica a uma mãe que acaba de perder seu filhinho, que na realidade foi melhor assim, que Deus quis assim e que, portanto, ela, essa pobre mãe, não tem que deixar-se abater pela dor.

"Deus não é Deus dos mortos, mas dos vivos": é isto o que Cristo nos diz em seu evangelho (Lucas, 20, 38). Mas para que este anúncio penetre no coração, cada um de nós precisa de uma experiência pessoal direta de desgraça, dor, perda, de uma experiência que nos leve a mergulhar no abismo do desespero, do desconsolo e das lágrimas. Não são alguns dias ou semanas, mas sim anos de intensa dor.

Este anúncio entra em nosso coração sem anestesia e só através das perdas pessoais. Não pode ser aprendido como uma lição de escola. Eu me atreveria inclusive a afirmar o contrário. Aquele que acredita realmente e não tem nenhuma experiência da dor, engana-se. Ele ainda não tem uma fé, senão uma proximidade à fé de outros, daqueles que quiseram imitar com a vida. Jesus não sofre apenas pessoalmente, senão que desce aos infernos, para compartilhar também ali o sofrimento alheio. Ele nos chama sempre quando diz: "Siga-me!". Muitas vezes tentamos sinceramente ir atrás dele, mas... tentamos não advertir o sofrimento alheio, fechamos os olhos, não ouvimos...

Tentamos convencer alguém que sofre de que na realidade sua dor é só uma impressão, e uma impressão que tem porque não ama a Deus, e assim seguimos... Enfim, deixamos a pessoa que sofre, que está mal, na dor sozinha, abandonada justo no momento mais difícil do caminho da vida.

DESCER AOS INFERNOS

Pelo contrário, deve-se acompanhar essa pessoa aos infernos, seguindo assim o Mestre. Deve-se sentir com o próprio coração a dor de quem está ao nosso lado, em toda sua integridade, crudelidade e autenticidade. É preciso compartilhar o sofrimento com a pessoa, vivenciá-lo com ela.

Lembro-me da morte de uma parente de 80 anos, que vivera sempre com sua irmã. Um ano depois a irmã dela me disse: "Obrigada por você não ter me consolado nesse momento, você esteve ao meu lado e isso foi importante". Talvez nisto resida o cristianismo: estar ao lado, estar juntos.

Nós somos pessoas do Sábado santo. Jesus já desceu da cruz. Talvez já tivesse ressuscitado, porque o evangelho que se lê nesse dia fala disto. Mas ninguém sabe ainda. O anjo ainda não disse: "Não está aqui, ressuscitou". Ninguém sabe . Sua ressurreição é advertida só com o coração; e percebem-na só aqueles que não perderam o hábito de sentir com o coração...
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Georgij Cistjakov. Publicado na revista Ciudad Nueva, www.ciudadnueva.org.ar

Notinhas da Igreja








Missa
Comunidade São Francisco de Assis, da Paróquia São João Batista de Porto Feliz. As 19h30m.



Quinta-feira
Missa as 19h na Igreja de São Benedito.
Grupo de Oração São João Batista, na Igreja de São João Batista as 19h30m.


Sexta-feira
Grupo de Oração Divina Aliança, na Igreja de Santa Cruz às 19h30m.
Ig Mãe dos Homens: confissões da 9h as 11h.
Missa as 15 horas na Ig Mãe dos Homens.

02 novembro 2009

O Sentido da Morte



O Sentido da Morte
Dom Eugenio de Araujo Sales
Cardeal Arcebispo Emérito do Rio de Janeiro

Cada túmulo é um monumento que perpetua neste mundo, as interrogações profundas do coração: por que viver? Por que morrer? Será que a dor dessa separação é o sentido último da existência humana?

Nos dias atuais, cada vez se conhece mais os segredos da psique, embora aumente a ausência, em nosso íntimo, da serenidade e da paz. Cresce a competência da medicina. Todavia tomam dimensões assustadoras os problemas da velhice desamparada pela própria família. O amor conjugal procurou emancipar-se: recusa a tutela da sociedade, da moral e, em consequência, decresce o número de matrimônios felizes. Busca-se avidamente a harmonia onde não pode ser obtida. Essa frustração no amor parece ser uma chaga que nos aflige.

A sociedade moderna torna-se um corpo doente, assistida por remédios sem número e aparelhagens sofisticadas. Ao curar-se um mal surgem novas mazelas.

Aspira-se à vida onde ela não se encontra, pois a ânsia dos prazeres que entorpecem as consciências nos conduz à morte. Tal explicação deriva do fato de o homem possuir uma dimensão transcendental. Desprezando-a, jamais se realizará plenamente.

O Dia de Finados coloca diante de nós, no íntimo de cada um essa angústia: a interrogação sobre o Além. Um verdadeiro grito de alerta que favorece a salvação e soluciona dificuldades pela garantia de uma perspectiva perceptível pelos sentidos.

No Antigo Testamento não temos uma resposta cabal. A luta contra os cultos pagãos, que transformavam os defuntos em verdadeiros deuses, exigia medidas profiláticas em favor do povo eleito: “Só Eu sou o Senhor” (Lv 19,28; 20, 6.27). “Vós sois os filhos do Senhor, vosso Deus; por isso, não presteis culto aos mortos” (Dt 14,1). Assim, inculcavam que estes não são divindades, mas, em suas cinzas, seres como nós.

Nos textos sagrados antes de Cristo, a morte conservava sua força como penalidade pela desobediência dos primeiros pais.

Os portais da Eternidade permaneciam impenetráveis. Geme o grande profeta Isaías (38, 10-12): “É necessário, pois, que eu me vá no apogeu de minha vida. Serei encerrado por detrás das portas da habitação dos mortos (...). Não verei mais o Senhor na terra dos viventes, não verei mais a luz (...). Arrancam as estacas de meu abrigo, arrebentam-no como uma tenda de pastores”.

Somente com o fulgor da Ressurreição foram vencidas as trevas que envolviam a condição do homem após a morte. O acontecimento revelou o poder sobre o que destruía o corpo. Por isso, São Paulo, convertido, proclama que o Salvador resgatou o véu misterioso da morte, perdoou o pecado, apagou a culpa, reconciliou a criatura com o Criador. Assim, destruída a causa dos males, desapareceu o castigo na dimensão de permanência, restando apenas algo de transitório. Ainda devemos passar pelo túmulo, como o Mestre; mas o que se lhe segue deixou de ter o estigma da tristeza, para se transformar em esperança.

Essa profunda metamorfose surge de um fato: “Eu vivo e vós vivereis” (Jo 14,19). Sua vitória é nosso triunfo. No meio das dores dos que choram seus entes queridos, repitamos com o Apóstolo: “Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão? A morte foi tragada pela vida” (1Cor 15,55).

Desse ensinamento de fé cristã brotam valiosas consequências.

A primeira delas é a esperança que envolve a saudade ao visitar os túmulos de nossos entes queridos. A luz da vela acesa nos recorda o fulgor de Cristo que ressuscitou e o fará a todos que são batizados na sua morte. Eles o acompanham, vitoriosos, na sobrevivência eterna. A firme convicção da Palavra de Deus é o sólido fundamento dessa confiança.

A outra é a admoestação que todo cemitério nos sugere. As sepulturas nos falam de nosso amanhã: lá estaremos também. Entretanto, só “quem não ama permanece na morte” (Jo 3,14). Assim, a Ressurreição do Senhor produzirá em nós seus frutos na medida em que na vida praticamos as obras do Redentor: a justiça, a bondade e o perdão. Toda uma existência seguindo o Evangelho nos abre uma maior possibilidade de participação na glória eterna. As renúncias são pedidas, mas os sacrifícios dessas exigências desaparecem diante da perspectiva futura.

A última reflexão no Dia de Finados é relativa à nossa maior aproximação com os que nos precederam na glória eterna. Eles usufruem da alegria do Paraíso. Então, estaremos mais unidos aos nossos entes queridos à medida que nossos corações permanecem junto ao Senhor. A oração é o momento de nos encontrarmos diante da face de Deus e com aqueles que hoje já participam da vitória de Cristo.

Assim o Dia de Finados continua envolto em saudade provocada pela ausência física dos que amamos e já se foram. E, no entanto, é também uma ocasião de louvores: “Graças sejam dadas a Deus, que nos dá a vitória eterna, por nosso Senhor Jesus Cristo” (1Cor 15,27).

Somente os que creem na Palavra de Deus recebem a graça transformadora. Ela converte a dor na esperança e substitui por uma presença o vazio deixado pelos que nos antecederam na casa do Pai.

DIA DE SAUDADES, MAS TAMBÉM DE BOAS LEMBRANÇAS




DIA DE SAUDADE, MAS TAMBÉM DE BOAS LEMBRANÇAS

Para muitas pessoas, o dia de finados é uma data triste, que deveria ser excluída do calendário. Muitos, nesse dia, ficam deprimidos ao recordarem os seus entes queridos que partiram desta vida. Alguns isolam-se, outros viajam para esconder suas mágoas...

Porém, poucos conseguem ver que o dia de finados deve ser um momento de reflexão acerca de como anda a nossa conversão. Deve ser um dia de "fecho para balanço", daqueles em que se para tudo, totalizam-se os lucros e os prejuízos e promete-se e permite-se vida nova.

Não podemos esquecer-nos de que um dia estaremos também partindo desta vida. Não podemos ignorar isso pois, como um ladrão na noite, como diz o Evangelho, esse dia chegará. Felizes aqueles que foram "apanhados" em oração, com os Sacramentos em dia.

Muitas pessoas lamentam a "perda" de um pai ou uma mãe e esquecem-se de que eles fizeram apenas uma viagem distante e que estão esperando por nós. Partiram quando o Pai, transbordando de saudades, gritou: - Filho(a), há quanto tempo estás aí! Volta para casa! - e assim foi feito.

Muitos, porém, desses que lamentam a perda de um ente querido, ao invés de serem verdadeiramente santos para, um dia, voltarem a encontrar-se com seus parentes e amigos que partiram desta vida, tomam um outro rumo, ora distanciando-se de Deus e da Sua Igreja ora vivendo uma fé morna, como diz Jesus.

Não percebem que, ao fazer isso, desperdiçam a única oportunidade que têm de rever essas pessoas. É uma pena...

Neste dia 2 de Novembro, que possamos verdadeiramente rever os nossos sonhos, a nossa vida, a nossa fé e, pela glória de Deus, mudar de rumo, se necessário for.

Paz e Bem!

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